quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A política das obras públicas e o condicionamento industrial

A necessidade de recuperar as obras públicas advinha de três factores anteriores aos anos 30: o falhanço da república, a primeira guerra mundial e a crise de 29. Estando Portugal numa grave situação financeira e de desemprego, e sendo Salazar um desapoiante assumido da indústria, a sua aposta viria a cair sobre as obras públicas. Criaria, assim, novos postos de trabalho que, embora precários (eram empregos de mão-de-obra desqualificada e de curta duração), viriam a trazer novas receitas para o Estado. Além disso, iniciaria o seu processo de satisfação da auto-suficiência e de conquista do povo português, ao mostrar-lhes tão significativos e modernos resultados.
A política de obras públicas do Estado Novo foi, às palavras de João Fagundes, nada mais que uma grande fachada. Este termo atrevidamente empregue sugeria, correctamente, que as obras que Salazar fazia edificar não serviam senão para ofuscar os olhos dos estrangeiros, fazendo parecer Portugal um país muito moderno e sofisticado, em vez de promoverem melhorias nas condições de vida dos portugueses que, inevitavelmente, se mantinham iguais.
A grande falha do Estado Novo residiu também na falta de aposta na indústria. Talvez os dias de hoje fossem melhores se o nosso "Esteves" tivesse dado alguma hipótese ao desenvolvimento industrial. Em 1933, Salazar discursou no I Congresso da Indústria Portuguesa e deixou bem claro, através das suas palavras meticulosamente meditadas, que não trabalhava para o desenvolvimento mas sim para a subsistência. Dizia concretamente que pretendia "apenas criar as condições indispensáveis à produção portuguesa". Chegou mais longe ainda, impedindo as indústrias de avançar sem a autorização do Estado e apenas as pequenas indústrias eram aceites, de modo a evitar grandes associações entre trabalhadores.
Este condicionamento industrial deixou-nos para trás na corrida das nações. Hoje, somos, literalmente, a cauda da Europa.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

A Peculiar Ditadura de Salazar

Em aula falou-se das diferenças entre os autoritarismos na Europa e na desvalorização da ditadura como sendo uma verdadeira DITADURA, em Portugal, um facto que me chocou particularmente. Daí surgiu esta reflexão.

Chega-se, muitas vezes, em conversas informais, a dizer que o regime do Estado Novo não era fascismo ou ditadura, em comparação com os aparatos vividos em Itália ou na Alemanha. Esta comum concepção está errada e deve ser corrigida, para que os portugueses compreendam a realidade. É necessário averiguar os factos com precisão.
Viveu então Portugal tantos anos de fascismo? Sem dúvida. A dúvida interpõe-se quando comparamos António de Oliveira Salazar a outros ditadores cujos objectivos ou vivências eram totalmente diferentes. Ao passo que um Hitler, da Alemanha, vivia num desejo tremendo de vingança, violência e, principalmente, da afirmação de uma raça superior (a raça ariana), Salazar, um intimista e religioso, pretendia apenas afastar os modernismos e fazer o povo português viver num conservadorismo extremo e de um modo colectivo (típico dos autoritarismos), ofuscando todos os conceitos envolvidos nas liberdades individuais. Entendemos facilmente que há diferenças entre os dois ditadores e que o Salazarismo se aproximou muito mais do fascismo Italiano do que do nazismo. Mesmo assim, entre as ditaduras de Portugal e Itália havia uma diferença crucial: enquanto Salazar promovia no povo português o culto a Deus, Mussolini afirmava-se como o próprio Deus, como um ser superior de uma importância acima da média, posição que Salazar jamais ocuparia. Também a sua postura mais intimista contrastava com o militarismo que Hitler e Mussolini transbordavam.
O importante a reter é que, apesar de ser um género de ditadura diferente, o que Portugal viveu não deixou de ser uma ditadura. Todos os mecanismos de propaganda, censura, repressão, enquadramento das massas, concentração de poderes, etc, funcionaram como num verdadeiro regime autoritário. Estes factos devem ter sido em conta, para que nada se repita.

domingo, 13 de dezembro de 2009

A revolução artística

Quando surgem novas teorias que vêm romper com todos os valores traidicionais de uma sociedade, tudo se questiona e os comportamentos alteram-se. Além de mutações nos comportamentos, a arte veio a ser totalmente revolucionada.
Em finais do século XIX e inícios do século XX, novas teorias surgem. As principais foram a teoria da relatividade de Albert Einstein e a Psicanálise de Sigmund Freud. Estas teorias revolucionaram os ideais do mundo.
As revoluções artísticas acabam por se englobar num movimento: o modernismo, que conteve várias vanguardas verdadeiramente inovadoras que rompiam com os cânones clássicos das artes.
Fauvismo
O fauvismo foi a primeira vanguarda propriamente dita. Os fauve (feras em francês) vinham chocar os olhos do espectador através da cor, que se autonomiza do real (o céu poderia agora ser amarelo ou verde e as montanhas vermelhas, como na obra representada), e através do não cumprimento das leis da perspectiva. Além disso, toda a obra era composta por grandes manchas de cor que delimitam os planos. O fauvismo não teria qualquer objectivo a nível social. Pretendia, pelo contrário, fugir a esse tema, transmitindo harmonia ao observador e fazendo-o esquecer os problemas da sociedade. A mesma ligeireza já não encontramos no expressionismo.


O Expressionismo
Ao contrário do fauvismo, o primeiro movimento desta vanguarda surgida na Alemanha, A Ponte, vinha soltar um grito de revolta interior contra uma sociedade demasiadamente conservadora e hierarquizada. Procurava então provocar uma forte tensão emocional e angústia a quem observava as obras, utilizando formas distorcidas e cores intensas. Como podemos observar na obra apresentada, a mulher quase que parece inchada e magoada, dando-nos uma sensação desconfortável. Era uma arte impulsiva e muito individual.






O segundo movimento, por sua vez, era já mais intelectual, mais lírico e mais suave e chamava-se O cavaleiro azul. Comparando as duas obras expressionistas, sentimos diferentes sensações ao observá-las. Uma traz-nos um sentimento angustiante e desconfortável, outro é uma harmonia para os nossos olhos, uma poesia desenhada.

domingo, 25 de outubro de 2009

O Tratado de Versalhes

O tratado de Versalhes foi dos mais importantes tratados assinados a partir de Junho de 1919. As suas principais decisões foram:
  • Art. 42 - proíbição à Alemanha de militarizar a margem esquerda do Rio Reno e a margem direita numa extensão de 50 km (de modo a evitar o surgimento de uma nova guerra)
  • Art. 45 - Cedência por parte da Alemanha das minas de carvão do Sarre à França (A França obriga a que as minas sejam suas pois necessita do carvão para as suas indústrias de modo a desenvolver-se economicamente)
  • Art. 51 - A França recupera, da Alemanha, a Alsácia-Lorena
  • Arts. 80/81/87 - A Alemanha é obrigada a reconhecer a independência dos novos estados-nação
  • Art 119 - A Alemanha renuncia todas as suas colónias a favor dos vencidos
  • Arts. 160/168 - Sanções militares à Alemanha: o seu poder militar é reduzido de modo a apenas ter o suficiente para se defender.

Analisando os artigos apresentados acima, que semelhança podemos encontrar entre cada um deles? Não será muito difícil compreender que aquilo que estes artigos têm em comum são as fortes repreensões e pesadas penas que caem sobre o principal vencido: a Alemanha. O Tratado de Versalhes, bem como a Conferência de Paz, acaba por ser algo criticado quanto às suas decisões, que haviam sido, talvez, exageradamente penosas (esta questão será desnvolvida futuramente no blog).
De um modo geral, a Alemanha perde:

  • 1/7 do seu solo
  • 1/10 da sua população
  • todas as suas colónias
  • o controlo da sua frota de guerra e parte da sua frota mercante
  • as minas de carvão do Sarre
  • a maioria das suas capacidades militares
  • a oportunidade de reconstruir a sua economia, ao ser obrigada a reparar financeiramente todos os prejuízos da guerra.

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Próxima entrada sobre...A nova esperança para a Humanidade - Sociedade das Nações

A nova geografia política

Esta é uma das partes da matéria que me suscita algumas dúvidas ainda. Sintetizei a informação em tópicos mas não tenho a certeza se estão correctos, por isso fico à espera das possíveis correcções.
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Depois da queda do império russo, caem os impérios alemão, austro-húngaro e otomano. Com a queda dos três impérios nascem então os estados-nação: países anteriormente oprimidos que alcançam a sua independência.
Surgem então os seguintes países:
  • Finlândia, Estónia, Letónia e Lituânia (libertos pelo império russo)

  • Polónia, Checoslováquia, Jugoslávia e Húngria (libertos pelos impérios russo e austro-húngaro) - (?)

  • Arábia, Curdistão e Arménia (libertos pelo império otomano) - (?)

  • A Síria e o Líbano tornam-se mandatos da França e a Mesopotâmia e a Palestina tornam-se mandatos da Inglaterra.

Ampliam-se os seguintes estados:

  • A França (recupera a Alsácia-Lorena); a Bélgica; a Itália; a Dinamarca; a Roménia; a Grécia.

Os vencidos perdem as seguintes regalias:

  • Áustria perde 80 000 km2

  • Bulgária perde acesso ao Mediterrâneo

  • A nova Túrquia reduz-se a duas regiões apenas

Todas estas alterações da geografia política a nível mundial foram acordadas no Tratado de Versalhes, o principal tratado resultante das negociações da Conferência de Paz. Podemos observá-las melhor através do seguinte mapa:

(clicar na imagem para ampliar)

A principal conclusão que podemos retirar da observação deste mapa do pré/pós guerra é que a Europa sofreu grandes alterações na sua geografia política e viu nascer inúmeras novas nações, o que podia ser um sinal de esperança para a humanidade...

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Próxima entrada sobre... Tratado de Versalhes (análise).

A Conferência de Paz de Janeiro de 1919

Um dos acontecimentos mais conhecidos das primeiras décadas do século XX é a Primeira Guerra Mundial. Este conflito que destruíu o mundo durou desde 1914 a 1918 e veio pôr um ponto final à longa temporada da hegemonia Europeia. Em 1918, a Europa, palco desta guerra infelizmente não teatral, estava completamente arrasada em todos os sentidos: política, demográfica e economicamente. Havia então uma necessidade extrema de se tentar estabelecer a organização e a paz.
A Conferência de Paz teve início em Paris, Janeiro de 1919. Servindo de base às negociações estava o documento apresentado pelo Presidente Wilson, dos Estados Unidos da América: os 14 pontos do Presidente Wilson. O que vinha defender então este importante documento? De forma global, defendia:
  • a prática de uma democracia transparente, ou seja, todas as negociações internacionais deviam ser feitas com o conhecimento de todas as nações envolvidas;
  • a liberdade de navegação e de trocas, de modo a promover um comércio liberal que, consequentemente, facilitaria uma economia em ascensão;
  • a redução dos armamentos, de modo a evitar o risco de uma nova guerra;
  • o respeito para com as nacionalidades e a criação de uma liga das nações, um organismo que assegurasse a paz e a segurança internacional.

Há que notar, no entanto, um importante facto: é que, apesar de ter tido grande importância para a Conferência de Paz, este célebre documento do Presidente americano revelou-se um pouco contraditório ou, pelo menos, as boas intenções foram em vão. É que a concretização desta Conferência de Paz em Paris foi como o rasurar do primeiro dos 14 pontos (que defendia a prática de uma democracia transparente), porque apenas nela participaram os países vencidos, não tendo sido convidada a Alemanha a negociar o seu próprio futuro. Citando as palavras de André François Poncet, os vencedores impuseram à Alemanha, sob ameaça de invasão, uma paz não livremente negociada, mas ditada.

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Próxima entrada sobre...a nova geografia política

Introdução

Este blog surge no âmbito da disciplina de História A do 12º ano e tem como objectivo acompanhar o desenvolvimento do processo de aprendizagem ao longo do ano lectivo, funcionando como um espaço disponível para expôr as minhas dúvidas em relação à matéria e explicar tudo aquilo que vou aprendendo nas aulas.
Aquilo que mais espero deste blog é que me ajude a interiorizar a matéria e, gradualmente, me ajude na preparação para o exame nacional. Espero também que esteja suficientemente criativo e organizado, pois esses serão dois dos aspectos tidos em conta na avaliação.
Escolhi a frase O saber não ocupa espaço para título do blog porque achei que se adequava às circunstâncias: o blog permitir-me-á alargar a minha sabedoria que, por sua vez, poderá estender-se até onde eu quiser, nunca será demais (como diz a frase: nunca ocupará espaço).